Noivos procuram terapia para encarar a futura vida de casados

"Nosso casamento melhorou tanto desde que começamos a nos consultar", diz a administradora Ana Figueira, 33, sobre a relação com o empresário Antonio Bastucci, 41. Isso porque eles nem se casaram ainda. Estão a um mês de dizer "sim", e as visitas semanais ao "coach" são justamente para chegar ao grande dia "sem se matarem ou morrerem de estresse", diz a noiva.

O consultório psicológico na Vila Madalena, região oeste, que Ana e Antonio frequentam não conta com divã de casal. "A gente conversa, sentado, sobre o futuro, principalmente. Falamos sobre expectativas, ansiedades e também sobre quem vai lavar a louça", diz Antonio. Isso porque, como o significado do verbo em inglês, o "coaching" é um treinamento.


Cena do filme de animação "Noiva Cadáver"

A prática foi criada com foco no desempenho de executivos dentro das baias de suas firmas. Mas, de uma década para cá, também vem sendo aplicada na criação de filhos, na gestão da casa e até na hora de subir ao altar.

A psicóloga Claudia Puntel define o que é "coaching" para noivos: "Não é terapia nem cerimonial. É um meio de caminho". Para ela, uma das primeiras a oferecer o serviço, quatro anos atrás, muita gente se casa achando que irá brincar de casinha. "Esse processo é para eles se conhecerem melhor, enxergarem o que é se casar de fato", diz a também terapeuta Adriana Torres.

Adriana admite que, ao enxergar todos os problemas que vêm com a união pela frente, alguns casais desistem. "Tive dois casos em que eles vieram para planejar o casamento, mas descobriram que não estavam maduros para se casar. Um deles se casou um tempo depois. O outro ainda está namorando", conta Adriana.
A atriz Julia Roberts em cena do filme "Noiva em Fuga", de Garry Marshall, de 1999

Os que não desistem, em compensação, têm ajuda para superar o maior inimigo do espaço entre noivado e casamento: a TPN. "A tensão pré-nupcial acomete muitas noivas. É uma dupla ansiedade: pela mudança que a união implicará e pelos preparativos da festa", explica a psicóloga Adriana Branco.

A TPN, como a TPM, só atinge mulheres, dizem os especialistas. "Os noivos temem a perda da vida de solteiros, dos amigos, e geralmente tendem a se distanciar das escolhas e dos preparativos", diz a psicóloga Nara Helena Lopes. Dos sete treinadores ouvidos, nenhum foi contratado pelo homem do casamento. "Os noivos até vêm, mas geralmente trazidos pela mulher", diz Adriana Torres.

Mas o inferno do casal pode também ser os outros. Uma agrura comum nos consultórios é quando entes não tão queridos se metem na festa. Segundo Nara Helena, os noivos têm "dificuldade em lidar com as diferenças entre famílias, as expectativas não correspondidas, os desejos não realizados de pessoas próximas que tendem a se projetar neles mesmos".

Há profissionais que chamam o embate de "sonhos de sogra". "É muito comum que mães, sogras ou mesmo irmãs e cunhadas vivam esse casamento como o seu próprio. Ou busquem realizar suas expectativas no sonho da noiva", diz Nara Helena.

DEPOIS DO 'SIM'

Mesmo depois de a festa correr bem e os convidados irem embora, podem ficar alguns problemas. "A festa é um momento de muita felicidade, mas, ao mesmo tempo, de um certo luto, já que envolve uma mudança brusca", diz Adriana Torres.

"Mais de uma noiva já me disse: 'Eu tenho medo de acordar no dia seguinte e não ter um e-mail para responder'. De repente, você para de ser o centro da atenção", diz Claudia Puntel, que também atende por Skype.

Cada sessão, presencial ou à distância, custa de R$ 150 a R$ 300. Profissionais dizem que o ideal é começar um ano antes do grande dia, o que barateia também as consultas, negociadas em pacotes. Para quem não consegue bancar as sessões, a recomendação dos terapeutas é uma só: faça o casamento que você quiser e tente relaxar ao máximo.

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